JUSTO?

Justo pros justos

Tem que dar errado

O sorriso falso mascara

O abraço apertado,

Risadas, elogios, conversas

Esquecimento, solidão

O justo mais uma vez

Volta sozinho,

Cumpriu sua missão

Quisera eu ter um teto pra chamar de lar

Longe do frio, do medo, do só

Queria poder trancar a porta quando

Meu pior inimigo me chamar,

Quisera ter um colo para deitar,

Uma mão para apertar,

Um tchau para dar,

E um lugar para voltar.

Quisera ter um casaco,

Que não aquece o frio,

Ameniza somente o vazio,

Esquenta o coração.

Tira a solidão

E não diga que não…

Aquece a alma… 

Voar

Acordei um dia

Abri a janela e voei

Brinquei com os pássaros

Um deles me tornei

De cima dos prédios

a rua observava

Via tanta gente triste

mas a alegria se destacava

Quando o Sol queimava

Eu tinha as nuvens

Pra me refrescar

Mas o que eu mais gostava

Era ela olhar

Que quando passava

Tudo se iluminava

Quando sorria

Até os pombos

Se acalmavam  

E teu olho

Quem olhava se encantava

E parecia que no céu estava

O sujeito que ela olhou

Ai já não sei se voei

Se essa história é verdade

Ou se no olho dela eu olhei

e tudo se desencantou

Olhos de vida

Já tinha se passado alguns anos da despedida, e por um acaso o nosso encontro informal botou em dia na minha mente todas as histórias daquela vida que poderíamos ter tido juntos, foram tantos jantares, piqueniques, teatros, almoços de domingo, frios no inverno, pneus furados…  que  foram perdidos como roteiros sem atores e diretores.

Ela continuava linda, muito diferente porém muito bela, a vida lhe deu postura, seriedade e responsabilidade, mas os seus olhos juvenis exalando vida continuavam os mesmos, e que olhos, os únicos que me fizeram voar até hoje, olhos que tinham tanta vida que esqueciam que eram olhos por tantas vezes eles falaram, gritaram, choraram, sorriram…

E eu o mesmo, porém tinha perdido a auto confiança da juventude e talvez por isso não tenha ido falar com ela, só observei, e outros momentos ficaram perdidos no ar. Ela pagou sua conta virou de costas e se foi com a mesma postura que havia chegado, talvez não me viu ou não reconheceu.

Não foi porque não tinha de ser, era o que eu tentava me convencer.                                                                                                                                                                                                                    Esse amor sei que nunca acabou, porque nunca começou. 

Não Deu

Ele mordeu a pimenta da paixão

Mas era de cheiro, não ardeu

Ele não entende,

E ela não entendeu

Que depois de tanto amor

O tempero não pegou

O feijão ficou sem sal…

E a sobremesa que era casadinho

Restou apenas a mostra do pavê

Até hoje ele lambe os beiços

Sente um gosto

e não lembra de que…